HANA-BI [FIREWORKS] | 22/09/2010

“Hana-Bi” – Japan (original title)

Realizador: Takeshi Kitano

35 mm, 1997 (98 em Portugal), 103min

Leão de Ouro no Festival de Veneza 1997

Crítica e Sinopse:

Não há como negar: Takeshi Kitano é, nitidamente, o grande nome das artes contemporâneas japonesas. Nascido em 1947, tornou-se actor, realizador, guionista e passou a vivenciar vários momentos importantes da cinematografia nipónica. Os seus filmes são famosos no Japão e no mundo pela sensibilidade única e pelo modo como a estética inteligente se mistura com enredos de profundo humanismo.

Em Hana-bi, Fogos de Artifício, Kitano assume papel de realizador, guionista e actor, construindo um mundo violento e moderno, mas carregado de sentimentos. Ele interpreta Nishi, um policia que procura um mundo pacífico e tranquilo, onde possa refugiar-se. Antes um simples policial que rondava a cidade com os colegas de trabalho, Nishi é atingido por um episódio violento e passa a procurar um novo sentido para a vida.

O protagonista não é realmente dos mais felizes.Um amigo foi emboscado pela máfia, a sua mulher tem uma doença terminal e sua filha morreu ainda jovem. Na sua luta por uma vida mais calma, a realidade severa entra em conflito com as aspirações do polícia, como se o impedisse de atingir os seus objetivos.

Hana-bi é um filme denso, mas que curiosamente não exige grandes actuações. Takeshi Kitano, como é da praxe, rouba a cena. Nichi quase não tem falas, o que reflecte a sua personalidade introvertida e reservada, mas os momentos silenciosos pelos quais passa a personagem abrem ao espectador um leque de reflexões. São as reflexões que fazem de Hana-bi o filme imensamente humano que de facto é. A própria montagem do filme faz o espectador pensar, porque são o pensamento e o questionar que maquinam a cinematografia de Kitano.

É também em Hana-bi que Kitano dá forma ao seu estilo de direção, altamente consolidado em Dolls. A linguagem cinematográfica aqui utilizada já explora as metáforas visuais que o diretor tanto adora.

O modo como Takeshi Kitano utiliza cores, formas e imagens para compor cenários e cenas sintetiza o seu sensível estilo de direcção. A fotografia não é poética ou deslumbrante, mas sim real e quotidiana, o que dá ao filme um tom natural e urbano, bastante contemporâneo. É na contemporaneidade, aliás, que Kitano encontra espaço para fazer os seus filmes. Ele retira do mundo moderno a essência das suas histórias e outros elementos importantes, como a violência sempre presente, que em Hana-bi tem um quê de Quentin Tarantino.

Hana-bi, Fogos de artifício, demonstra de maneira concreta o verdadeiro Takeshi Kitano. Não aquele excelente realizador, actor ou guionista, mas sim o ser humano sensível que está por trás das lentes. Os seus filmes são uma nova experiência cinematográfica, por oferecem momentos de reflexão e sensibilização tão raros nas grandes produções. Kitano abunda naquilo que falta ao mundo mecânico actual: sentimentos.

Flávio Augusto

TRAILER:

22 de Setembro| 21h45 | Teatro Sá da Bandeira | inserido na programação “Semana da Cultura Nipónica – Ciclo de Cinema Japonês“.